De: Alex Pereira dos Santos Enviada em: sexta-feira, 23 de maio de 2008 08:56Para: Eliane Salmazo - Lexxa
Assunto: Texto Alex TCC
Bom dia Eliane, tudo bem com você? Espero que sim, ainda estou no aguardo daquele texto ilustrativo pro meu tcc. Já está pronto?
Solicito urgência neste caso,
Regards do Brother!
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De: Eliane Salmazo - Lexxa Enviada em: sexta-feira, 23 de maio de 2008 09:50Para: Alex Pereira dos Santos
Assunto: RES: Texto Alex TCC
Amigo Alex, segue conforme pediu.... a disposição sempre da Vsa. Senhoria, que Deus ilumine vc( acho que vc está precisando). :
"A distância como um sentimento"
“A cidade de Campinas dorme neste momento, menos uma pessoa : Raphael. São 3h39min da madrugada, ele não dorme porque está ao telefone.
Podemos sobrevoar a cidade, verificando seus telhados, suas telhas, as copas dos edifícios, as árvores. As ruas que estão molhadas pela última chuva que ocorrera no final da tarde, e, em algumas casas, vistas do alto, vemos pequenas janelas de quartos com uma luz bem fraca, os cachorros dormem nas várias soleiras das várias portas dessas casas,numa solidão terrível;
Nós podemos adentrar nelas, em todas, sem ninguém perceber. Podemos entrar na casa de Raphael.
Esparramado na cama do seu quarto, com o telefone no ouvido, ele fala com o amor da sua vida, à 580 km de distância dali, o que ele fala, podemos ouvir:
“Kakaroto, hoje, por várias vezes, além de pensar, quase morri por você. Estou muito só.”
“ Mas “você não está sozinho, você só está distante.”
“ Por isso penso que vou morrer.”.
Especialmente para este estudo. “Observações da Cidade” por Eliane Salmazo
quarta-feira, 23 de julho de 2008
Um Vampiro na Honda
De certo modo, o diálogo ilustra e enriquece a discussão sobre desejo, distância, apontando principalmente o efeito industrial provocado pelo desejo e necessidade material, como efeito econômico capitalista ocidental.
"Depois de um dia agitado , convidei um amigo para tomarmos um café no restaurante interno do Centro Empresárial Conceição, o popular Shopping Jaraguá na rua Conceição em Campinas. No encontro faria uma bateria de perguntas, cuja respostas serviriam para o meu trabalho de conclusão de curso da faculdade, o T.C.C. . Assim, combinamos , liguei e confirmei o convite e as 17h37min daquela tarde Daniel chegou, eu o aguardava na praça de entretenimentos do Jaraguá, o avistando chegar pedi que acelerrasse os passos pois, ainda teríamos de ir para a aula, onde seria feito uma revisão da próxima prova da matéria de "legislação Aduaneira" do nosso, muito ilustríssimo, Professor Paulo Borges.
- Corra Daniel! O tempo voa, tenho muitas perguntas!
- Quantas? (assustado)
- 39 ! (brinquei)
-Tudo isso? Indagou.
- Quase isso, um pouco menos!
-Você deve estar um pouco doido né?
-Doido eu? Talvez esteja, quando piorar me avise.
Pedi um capuccino quente com chocolate e ele uma porção de pão de queijo e um café pequeno.
-Seja breve! – Pediu-me
Sem rodeios comecei:
-Daniel, você trabalha na Honda Automotive do Brasil?
-Trabalho!
-O que a Honda produz?
-Automóveis, ela monta automóveis no Brasil, na planta de Sumaré.
-Quais automóveis?
-O Honda Cívic e o Honda Fit.
-Mas porque a Honda produz esses automóveis?
-Por que ela busca lucra como qualquer outra empresa, oras!
-Sim, mas por que ela decidiu, para ter lucros, fabricar automóveis?
-Porque é um meio de transporte eficiente, um amplo mercado consumidor desses automóveis, e a Honda se destacou pela sua qualidade excepcional.
-Você disse “um amplo mercado”, as pessoas gostam de comprar carros?
-Para todo brasileiro ter um carro é sonho!
-Você quer dizer “desejo”?
-Sim
-Por quê?
-O carro deixa as pessoas mais livres, com sensação de liberdade, autonomia, as deixam realizadas e felizes.
-Então você que dizer que Honda trabalha a partir de sonhos e atender desejos das pessoas?
-Exatamente, a Honda quer satisfazer o desejo do consumidor de automóveis de luxo a grosso modo.
-Então concluo que atender desejos e necessidades das pessoas por automóveis, é basicamente a missão da Honda?
- E seria outra? A missão é atender essas necessidades e desejos da sociedade, o cliente alvo; a Honda atende um nicho de mercado que prefere carros elegantes, para atenderem os seus desejos de status.
-Você acha que, se não houvessem desejos e necessidades, a Honda existiria?
-Provavelmente não, pois se vive de necessidades e desejos olhe em nosso redor, isso faz da nossa vida ter mais sentido, um motivo para viver, lutar e trabalhar para conquistar o que se sonha. Se as pessoas não querem nada, porque então existiriam?
-O que você pensa então quando concluo que a partir de suas resposta, a Honda é uma das ferramentas da sociedade para se aproximarem-se de seus desejos e necessidades distantes?
-Isso é muito óbvio Alex! Funciona assim, ela não apenas diminui a distância, mas aproxima a pessoas de seus desejos.
-Mas, então a Honda dá carros de graça? Todas as pessoas podem comprar um Honda Civic?
-Não, não (risadas) As pessoas precisam comprar, as pesquisas indicaram que os maiores consumidores brasileiros são da classe média alta, isso se tratando do Brasil.
-E a classe C, então não sente esse desejo?
-Sente sim, mas elas estão bem mais distantes de comprar um, é difícil.
-Então nem todas as pessoas que desejam um Honda Civic pode satisfaze-lo, o que você acha que provoca essa distância Daniel?
-A condição econômica-social não é favorável para todos, isso impede que todas essas pessoas possam ter um automóvel Honda.
O diálogo enfatiza a industrialização como procedimento para o homem ter aquilo que deseja materialmente, para os seus sonhos, como também deixa claro (embora seja um mero diálogo) qual é necessariamente a missão dessas empresas: preencher a distância do desejo.
Logo em seguida nas afirmações de Cury, entende-se que esse desejo também é maquinado pela própria indústria de consumo, com as criações mercadológicas de necessidades, os grandes meios de comunicação servindo de vitrine, aguçando o que o ser humano racional tem como instinto: reações por instímulos ao que bom para ele, como se dissesse: "isso é bom", sem ao menos conhecer direito, é criado uma configuração psicológica no sujeito de que "determinado" produto é "bom", mesmo não sendo necessariamente.
"Depois de um dia agitado , convidei um amigo para tomarmos um café no restaurante interno do Centro Empresárial Conceição, o popular Shopping Jaraguá na rua Conceição em Campinas. No encontro faria uma bateria de perguntas, cuja respostas serviriam para o meu trabalho de conclusão de curso da faculdade, o T.C.C. . Assim, combinamos , liguei e confirmei o convite e as 17h37min daquela tarde Daniel chegou, eu o aguardava na praça de entretenimentos do Jaraguá, o avistando chegar pedi que acelerrasse os passos pois, ainda teríamos de ir para a aula, onde seria feito uma revisão da próxima prova da matéria de "legislação Aduaneira" do nosso, muito ilustríssimo, Professor Paulo Borges.
- Corra Daniel! O tempo voa, tenho muitas perguntas!
- Quantas? (assustado)
- 39 ! (brinquei)
-Tudo isso? Indagou.
- Quase isso, um pouco menos!
-Você deve estar um pouco doido né?
-Doido eu? Talvez esteja, quando piorar me avise.
Pedi um capuccino quente com chocolate e ele uma porção de pão de queijo e um café pequeno.
-Seja breve! – Pediu-me
Sem rodeios comecei:
-Daniel, você trabalha na Honda Automotive do Brasil?
-Trabalho!
-O que a Honda produz?
-Automóveis, ela monta automóveis no Brasil, na planta de Sumaré.
-Quais automóveis?
-O Honda Cívic e o Honda Fit.
-Mas porque a Honda produz esses automóveis?
-Por que ela busca lucra como qualquer outra empresa, oras!
-Sim, mas por que ela decidiu, para ter lucros, fabricar automóveis?
-Porque é um meio de transporte eficiente, um amplo mercado consumidor desses automóveis, e a Honda se destacou pela sua qualidade excepcional.
-Você disse “um amplo mercado”, as pessoas gostam de comprar carros?
-Para todo brasileiro ter um carro é sonho!
-Você quer dizer “desejo”?
-Sim
-Por quê?
-O carro deixa as pessoas mais livres, com sensação de liberdade, autonomia, as deixam realizadas e felizes.
-Então você que dizer que Honda trabalha a partir de sonhos e atender desejos das pessoas?
-Exatamente, a Honda quer satisfazer o desejo do consumidor de automóveis de luxo a grosso modo.
-Então concluo que atender desejos e necessidades das pessoas por automóveis, é basicamente a missão da Honda?
- E seria outra? A missão é atender essas necessidades e desejos da sociedade, o cliente alvo; a Honda atende um nicho de mercado que prefere carros elegantes, para atenderem os seus desejos de status.
-Você acha que, se não houvessem desejos e necessidades, a Honda existiria?
-Provavelmente não, pois se vive de necessidades e desejos olhe em nosso redor, isso faz da nossa vida ter mais sentido, um motivo para viver, lutar e trabalhar para conquistar o que se sonha. Se as pessoas não querem nada, porque então existiriam?
-O que você pensa então quando concluo que a partir de suas resposta, a Honda é uma das ferramentas da sociedade para se aproximarem-se de seus desejos e necessidades distantes?
-Isso é muito óbvio Alex! Funciona assim, ela não apenas diminui a distância, mas aproxima a pessoas de seus desejos.
-Mas, então a Honda dá carros de graça? Todas as pessoas podem comprar um Honda Civic?
-Não, não (risadas) As pessoas precisam comprar, as pesquisas indicaram que os maiores consumidores brasileiros são da classe média alta, isso se tratando do Brasil.
-E a classe C, então não sente esse desejo?
-Sente sim, mas elas estão bem mais distantes de comprar um, é difícil.
-Então nem todas as pessoas que desejam um Honda Civic pode satisfaze-lo, o que você acha que provoca essa distância Daniel?
-A condição econômica-social não é favorável para todos, isso impede que todas essas pessoas possam ter um automóvel Honda.
O diálogo enfatiza a industrialização como procedimento para o homem ter aquilo que deseja materialmente, para os seus sonhos, como também deixa claro (embora seja um mero diálogo) qual é necessariamente a missão dessas empresas: preencher a distância do desejo.
Logo em seguida nas afirmações de Cury, entende-se que esse desejo também é maquinado pela própria indústria de consumo, com as criações mercadológicas de necessidades, os grandes meios de comunicação servindo de vitrine, aguçando o que o ser humano racional tem como instinto: reações por instímulos ao que bom para ele, como se dissesse: "isso é bom", sem ao menos conhecer direito, é criado uma configuração psicológica no sujeito de que "determinado" produto é "bom", mesmo não sendo necessariamente.
terça-feira, 22 de julho de 2008
Entrevista com a Vampira ( Desenvolvimento de TCC "O Conceito da Distância"
O estado de distância pode ser um sentimento de solidão, porque quando homem sente a necessidade da companhia, necessita de amor tanto quanto de alimento (CHESER,1971), e necessitar é estar distante, assim como numa sede: distante da água, uma necessidade; Porquanto no correr da evolução o homem adquiriu uma necessidade adicional, isto é o amor e este é tão necessário quanto o alimento. Se o privarem dele, sofrerá de algum modo ( CHESER,1971, p.75) e ainda “a necessidade de amor é tal que o indivíduo esmoece quando lhe falta completamente”(CHESER, 1971, p. 86).
Essas distâncias da vida, entre uma pessoa e outra na busca por uma ternura substancial para suas existências, as fazem felizes e completas, as fazem ter sentido para a vida – pois “[na] ternura por alguém, quer-se ficar perto da pessoa, dar-lhe cuidados e encher de dengos. Parece que a vida se resume na pessoa que se ama. Deixa-se de viver para si, até em certo ponto e passa a pensar somente no outro” (FAUSTO, 2007, p.11)
Sobre estas colocações, fora sugerido um diálogo com a Dra. Elisabete Aparecida Monteiro. Graduada em licenciatura e formação de psicólogo (PUCC); especializada em fundamentos filosóficos da psicologia e da psicanálise (UNICAMP); mestre e doutora em educação (USP), é colocada a seqüência de perguntas pertinentes ao tema “solidão e necessidade básica do homem”:
1ª Pergunta: “Gostaria que falasse sobre o sentimento de solidão e se
a vontade por "outra pessoa" é essência do ser humano. Tomando por base i filme Francês "Menino Lobo", o garoto, por ter vivido distante da sociedade, desenvolveu sentimentos diferentes, portanto se a "vontade por outra pessoa" for essência do ser humano,
era possível esse garoto ter um "sentimento de solidão"? Ou a
característica psicológica do ser humano pode ser "moldada" a partir
dos ambientes que se vive?”
Resposta:
“Dependendo de outro ser humano para a satisfação das necessidades mais básicas, como a alimentação, a "imaturidade biológica" com a qual o ser humano nasce já o coloca diante da NECESSIDADE BIOLÓGICA do outro. É a partir desse contato naturalmente necessário que se inicia a "NECESSIDADE PSICOLÓGICA" do outro. É na relação com o outro que se forma o nosso psiquismo, que é movido pela busca constante do reconhecimento do outro (a medida em que esse seja significativo). Não se sabe, exatamente, o nível de contato social que o menino selvagem estabeleceu antes de desaparecer na floresta. Caso tenha sido rejeitado desde o início, não tenha sido olhado nos olhos por alguém que o desejasse, poderíamos falar de uma formação autista da personalidade. Desse modo, é difícil falar em solidão, já que o autista se situa para além do mundo dos neuróticos, em seu mundo.
Portanto, a "vontade por outra pessoa" não seria uma essência biologicamente determinada, tampouco um mero determinando do ambiente.”
2ª Pergunta : “Quais doenças podem ser desenvolvidas pelo ‘sentimento
de solidão’ ?”
Resposta:
“Depressão, psicossomatizações, fobias, transtornos obsessivos compulsivos, entre outros”.
3ª Pergunta: “O que a Sra. tem a dizer sobre religiosos que renunciam
a uma vida familiar para se dedicarem ao sentimento "espiritual", essa
pessoa consegue suportar o ‘sentimento de solidão’?”
Resposta:
“A fé representa a confiança do sujeito num Outro que ama, protege, prevê e rege. Na crença em Deus, muitos conseguem viver sem a presença constante de outros, mas não na ausência absoluta.”
4ª Pergunta ( Rebate): “A questão de precisar do outro, está ligado ao "amor", Chesser ( O PREÇO DO AMOR ) colocou que ‘no correr da evolução o homem adquiriu uma necessidade adicional, isto é o amor e este é tão necessário quanto ao alimento, {...} parece que a vida se resume na pessoa que se ama...’Quando a Dra. Coloca que : ‘a vontade por outra pessoa’, não seria uma essência biologicamente determinada, tampouco um mero resultado do ambiente’ isso contrapõe essas afirmações de Chesser? Ainda gostaria que colocasse se essa necessidade afirmada por Chesser pode ser colocada no 1º ítem da pirâmide de Maslow.”
Resposta:
“Não fica claro, para mim, o que o autor está querendo dizer com "no correr da evolução o homem adquiriu uma necessidade adicional". Ele está dizendo que o amor é biológico (fisiológico, químico?)? Freqüentemente, o conceito de necessidade está atrelado à concepção biológica, se for isso, não concordo com essa proposição. Diferente da necessidade, o desejo se constitui na relação com o outro, no desejo do outro. A mãe que deseja seu filho o torna, também, desejante.
Creio que não podemos colocar o amor no nível do alimento... E que o amor estaria na terceira necessidade (social), já que esta se refere à necessidade de reconhecimento (amar é desejar ser amado, isto é, reconhecido).
O que se pretende chegar é na conclusão de Cheser sobre necessidade do amor, e que a partir dele o ser humano passa a desejar outras coisas até mesmo o alimento, seria para ele: primeiro o amor depois a própria motivação para o mundo.
Essas distâncias da vida, entre uma pessoa e outra na busca por uma ternura substancial para suas existências, as fazem felizes e completas, as fazem ter sentido para a vida – pois “[na] ternura por alguém, quer-se ficar perto da pessoa, dar-lhe cuidados e encher de dengos. Parece que a vida se resume na pessoa que se ama. Deixa-se de viver para si, até em certo ponto e passa a pensar somente no outro” (FAUSTO, 2007, p.11)
Sobre estas colocações, fora sugerido um diálogo com a Dra. Elisabete Aparecida Monteiro. Graduada em licenciatura e formação de psicólogo (PUCC); especializada em fundamentos filosóficos da psicologia e da psicanálise (UNICAMP); mestre e doutora em educação (USP), é colocada a seqüência de perguntas pertinentes ao tema “solidão e necessidade básica do homem”:
1ª Pergunta: “Gostaria que falasse sobre o sentimento de solidão e se
a vontade por "outra pessoa" é essência do ser humano. Tomando por base i filme Francês "Menino Lobo", o garoto, por ter vivido distante da sociedade, desenvolveu sentimentos diferentes, portanto se a "vontade por outra pessoa" for essência do ser humano,
era possível esse garoto ter um "sentimento de solidão"? Ou a
característica psicológica do ser humano pode ser "moldada" a partir
dos ambientes que se vive?”
Resposta:
“Dependendo de outro ser humano para a satisfação das necessidades mais básicas, como a alimentação, a "imaturidade biológica" com a qual o ser humano nasce já o coloca diante da NECESSIDADE BIOLÓGICA do outro. É a partir desse contato naturalmente necessário que se inicia a "NECESSIDADE PSICOLÓGICA" do outro. É na relação com o outro que se forma o nosso psiquismo, que é movido pela busca constante do reconhecimento do outro (a medida em que esse seja significativo). Não se sabe, exatamente, o nível de contato social que o menino selvagem estabeleceu antes de desaparecer na floresta. Caso tenha sido rejeitado desde o início, não tenha sido olhado nos olhos por alguém que o desejasse, poderíamos falar de uma formação autista da personalidade. Desse modo, é difícil falar em solidão, já que o autista se situa para além do mundo dos neuróticos, em seu mundo.
Portanto, a "vontade por outra pessoa" não seria uma essência biologicamente determinada, tampouco um mero determinando do ambiente.”
2ª Pergunta : “Quais doenças podem ser desenvolvidas pelo ‘sentimento
de solidão’ ?”
Resposta:
“Depressão, psicossomatizações, fobias, transtornos obsessivos compulsivos, entre outros”.
3ª Pergunta: “O que a Sra. tem a dizer sobre religiosos que renunciam
a uma vida familiar para se dedicarem ao sentimento "espiritual", essa
pessoa consegue suportar o ‘sentimento de solidão’?”
Resposta:
“A fé representa a confiança do sujeito num Outro que ama, protege, prevê e rege. Na crença em Deus, muitos conseguem viver sem a presença constante de outros, mas não na ausência absoluta.”
4ª Pergunta ( Rebate): “A questão de precisar do outro, está ligado ao "amor", Chesser ( O PREÇO DO AMOR ) colocou que ‘no correr da evolução o homem adquiriu uma necessidade adicional, isto é o amor e este é tão necessário quanto ao alimento, {...} parece que a vida se resume na pessoa que se ama...’Quando a Dra. Coloca que : ‘a vontade por outra pessoa’, não seria uma essência biologicamente determinada, tampouco um mero resultado do ambiente’ isso contrapõe essas afirmações de Chesser? Ainda gostaria que colocasse se essa necessidade afirmada por Chesser pode ser colocada no 1º ítem da pirâmide de Maslow.”
Resposta:
“Não fica claro, para mim, o que o autor está querendo dizer com "no correr da evolução o homem adquiriu uma necessidade adicional". Ele está dizendo que o amor é biológico (fisiológico, químico?)? Freqüentemente, o conceito de necessidade está atrelado à concepção biológica, se for isso, não concordo com essa proposição. Diferente da necessidade, o desejo se constitui na relação com o outro, no desejo do outro. A mãe que deseja seu filho o torna, também, desejante.
Creio que não podemos colocar o amor no nível do alimento... E que o amor estaria na terceira necessidade (social), já que esta se refere à necessidade de reconhecimento (amar é desejar ser amado, isto é, reconhecido).
O que se pretende chegar é na conclusão de Cheser sobre necessidade do amor, e que a partir dele o ser humano passa a desejar outras coisas até mesmo o alimento, seria para ele: primeiro o amor depois a própria motivação para o mundo.
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