domingo, 22 de março de 2020

São Paulo Esvaziada

Cena do filme ENSAIO SOBRE A CEGUEIRA - SARAMAGO.
Gravado em São Paulo - nesta imagem o Minhocão dominado 
pelo caos.
SÃO PAULO ESVAZIADA - o corpo livre do diabo.

Era abril de 2014 estava voltando do meu rolê de longboard com meus amigos JP e o Kojima, que apesar de ter sobrenome japonês é um rapazinho magro e loiro. Já eram umas 21h da noite e deixei o JP e o Kojima na porta da casa deles no bairro Chapadão em Campinas, e desci a ladeira da chapada que dá nome ao bairro, indo em direção à minha casa. Fechado em meus pensamento imaginava, desde daquela época, como seria viver um apocalipse. Era nóia minha, mas aprendi em livros que o ser humano é o único animal que consegue projetar o futuro como medida de defesa, por isso seria normal pensar, por exemplo, "em como lidar se seu quarto pegar fogo" etc... é o instinto de sobrevivência e defesa, nosso cérebro age assim, e por esse instinto pensava como seria um apocalipse zumbi naquele exato momento. Como seria conviver com os meus dois amigos ali, se tivéssemos que ficar isolados juntos como em The Wanking Dead?


Rick na cena de abertura de TWD, a metrópole rendida ao vírus, a série era febre em 2014.


Aliás, o TWD me fascina porque representa, pelo menos pra mim, o fim do sistema, o fim das regras, o fim do consumismo, o fim de tudo, mas o começo de um trilha que todos seguiriam igualmente. Eu pensava nisso tudo, num misto de Ilha Perdida, Robinson Cruzoé e  TWD.

Essa insanidade persegue a minha mente, por anos e quando me deparo com o CORONA VÍRUS invadindo São Paulo e o mundo me deixa mais perto do cenário caótico que minha mente sempre reproduziu, me deixa mais próximo de um sonho, ou melhor de um pesadelo.

Analistas e psicólogos diria que sofro de algum distúrbio, e esses dias até ouvi que dependendo da maneira em que certas pessoas vivem, a situação de um apocalipse, ou uma pandemia seria muito bem vindas para pessoas com distúrbios de relacionamento, ou simplesmente pela brandura de suas vidas: a situação de caos refletido numa pandemia  seria um prato prato cheio para quem não faz nada, seria aquela aventura a mais, a adrenalina que faltava para suas vidinhas medíocres.


Exato momento em que, o presidente do Brasil, diz que o Corona
vírus é uma gripezinha.
De repente minha vizinha ficou comunicativa, fala com todos sobre o vírus que assola São Paulo, compartilha fotos das compras de papel higiênico que fez no grupo wats do condomínio, ela parece adorar, ai de mim se eu tentar minimizar a gripe como fizera o presidente da república, essa fala dele, inclusive, lhe rendeu muitas paneladas por parte desta senhora evangélica ferrenha, antipetista, e que agora vê em Bolsonaro um algoz em sua jornada contra o vírus. Esta jornada, pareceu pra mim ser um dos raros momentos em que sua vida ficou agitada. É isso pode ser triste. Ontem ela passou por mim com um jogo de papel higienico NEVE que acabara de comprar, arranquei-lhe um sorriso imenso apenas dizendo: "nossa ainda bem que você comprou heim, tá acabando nos mercado" - realmente está. Eu poderia completar minha fala: "se vamos morrer que seja com o cú limpo!"


MEME da pandemia: "Se vamos morrer, que seja com o cú limpo"

Mas, o que quero dizer com tudo isso, é que ela pode não estar sozinha nessa cruzada. Como falei acima, podemos ter algo sádico em comum e isso me intriga: o doce mar de uma cidade vazia e todo sistema quebrado persegue a minha mente e meus desejos, quase um sadismo. E quando eu me defronto, em 2020, com a terra parando, com essa realidade eu me vejo enfrentando, quase, uma Síndrome de Jerusalém, ou de Veneza, onde as pessoas que por anos sonharam estar nestas cidades e quando lá estão a suas mentes entram em colapso pelo êxtase de confronto entre a REALIDADE versus o que sempre SONHARAM, as pessoas chegam a desmaiar, nos casos de Jerusalém até enlouquecer, começam a chorar feito crianças tal como aqueles programas de auditórios em que o fulano ganha a "casa que sempre sonhou".


Síndrome de Jerusalém é o nome dado a um grupo de fenômenos mentais envolvendo a presença de ideias obsessivas de temática religiosa, delírios ou outras experiências de cunho psicótico que são desencadeadas por, ou que levam a uma visita à cidade de Jerusalém. WIKIPEDIA.

Estaria o CODVID-19 realizando o meu sonho?

Pois bem estaria o CODVID-19, ou CORONA, realizando o sonho meu sonho? Não acredito neste puro sadismo doentio, mas leiam abaixo a Carta que o Corona vírus escreveu para a humanidade e que anda circulando na internet, até que ponto adorá-lo pode ser um sadismo?


CARTA DO CORONAVIRUS (À HUMANIDADE)
Tradução do GOOGLE TRADUTOR:

Pare.
Simplesmente pare, pare, não se mexa.
Não é mais uma solicitação. É uma obrigação.
Estamos aqui para ajudá-lo.
Esta montanha-russa supersônica ficou sem trilhos.
Chega!
Nós quebramos o turbilhão frenético de ilusões e "obrigações" que o impediam de erguer os olhos, olhar as estrelas, ouvir o mar, ser embalado pelo cantos dos pássaros, pegando uma maçã de uma árvore, sorrindo para um animal na floresta, respire a montanha, ouça o bom senso.
Nós tivemos que quebrá-lo.
Você não pode substituir Deus.
Nossa obrigação é mútua.
Como sempre foi, no entanto, você esqueceu.
Pararemos essa transmissão, a transmissão cacofônica infinita de divisões e distrações,
para lhe trazer esta notícia:
Não estamos bem
Nenhum de nós; todos estamos sofrendo.
No ano passado, as tempestades de fogo que queimaram os pulmões da terra
ele não te deu um tempo.
Nem as geleiras que se desintegram,
Nem suas cidades afundando,
Nem a consciência de ser o único responsável pela sexta extinção em massa.
Você não nos ouviu.
É difícil ouvir estar tão ocupado, lutando para subir cada vez mais alto no andaime dos confortos que você mesmo construiu.
As fundações estão falhando, arqueando-se sob o peso de seus desejos fictícios.
Nós iremos ajudá-lo.
Traremos as tempestades de fogo em seu corpo,
Vamos inundar seus pulmões,
Vamos isolar você como um urso polar em um iceberg à deriva.
Você está nos ouvindo agora?
Não estamos bem
Nós não somos um inimigo.
Somos um mero mensageiro, somos um aliado, somos a força que restaurará o equilíbrio.
Agora você tem que nos ouvir, estamos gritando para pará-lo!
Pare, cale a boca, ouça;
Agora levante seus olhos para o céu, como você está? Não há mais aviões. Quanto você precisa para se sentir bem para aproveitar o oxigênio que respira?
Olhe para uma árvore, como está? Olhe o oceano, como você está? Olhe para os rios, como estão? Olhe para si mesmo, como vai?
Você não pode ser saudável em um ecossistema doente. Parar.
Muitos têm medo agora.
Não demonize seu medo, não se deixe dominar. Deixe-me falar com você ouvir a sua sabedoria.
Aprenda a sorrir com os olhos.
Nós o ajudaremos se você ouvir.

Assinado: Coronavirus
Essa carta me fez lembrar de um rap antiiiiigo: "Eu sou uma Droga" do Rap Sensation, vale a penar ouvir de novo:

Ouça aqui a música EU SOU UMA DROGA


Dêem uma olhada na letra, vejam se o CORONGA copiou:
É, sangue bom, eu continuo pertubando você,
Muitos me fazem companhia, outros falam mal de mim,
Não tenho tempo pra trabalhar, só pra sorrir,
Te pego nas esquinas,bares, mentes pertubadas,
Alimentam o meu vício, te destruindo pelas madrugadas,
Já tentaram me exterminar, me incriminar, se associar a mim,
É o que conseguiram, sou eu é quem falo,
E você é que vai preso, por minha causa,
Mas sou seu amigo, fica frio,
No hospital, no leito solitário,
No presídio ou em casa, na miséria,
Sou seu amigo, fica tranqüilo,
Com os caras, eu já estou reinando,
Até as minas chegam junto, de vez em quando,
Mas sou rico, tenho funcionários, rendo fácil, fácil,
Eu sou da corte, aos colarinhos do plenário,
Não sou comandante, mas viajo sempre,
Não sou relógio, mas sou da hora,
Não sou ladrão, mas eu já roubei,
Quase toda a sua vida, cara,
Seu irmão morreu na minha, não fiquei com dó,
Vacilou cachimbo cai, no mundo do pó.
 
(refrão)
Eu posso muito bem estar,
Onde você estiver, onde você quiser,
Sou eu quem mando em sua mente,
Vinte e quatro horas,
Você não sabe quem eu sou,
Você não sabe não... (2x)

 
Olha só que firmeza, até mauricinho me estica na mesa,
É sangue bom, então, deixa que eu injeto,
Vai uma taturana aí, só pra ficar esperto,
Não vai deixar os manos te tirar, toma cuidado pra não assoprar,
Mas não esquenta, na boca nunca vai faltar,
Às vezes, os "homi" pega, uma casa cai,
Mas, depois vem rapidinho, vem chegando mais,
Entrou nessa maluco, é difícil sair,
Overdose te espera, teu fim está breve,
Eu quero é mais pra você, eu quero que o circo pegue fogo,
E os bombeiros, estejam tudo em greve,
Eu quero é mais, veja só,
No que você se meteu, eu tenho culpa,
O problema é seu, sai fora,
Eu num quero mais você, agora é só a morte,
Que vai te querer, outro dia, fumo solto na banca,
Gente rica, vem tratar de negócios,
Mas o fulano, prepara os planos,
Enrola o cachimbo, e traz a pedra (coitado esse já era),
Viagem clandestina, sem passaporte,
E o destino você sabe, otário é a morte,
É assim que eu quero, tem que ser assim,
Eu gosto do apelido, que puseram em mim,
Meu nome original, você sabe qual é,
Não precisa ninguém falar, e se me quiser,
Você me encontra, em qualquer lugar,
Uns me criticam, outros me consomem,
Se fosse coisa boa realmente, eu não teria esse nome.
  
Eu posso muito bem estar,
Onde você estiver,onde você quiser,
Sou eu quem mando em sua mente,
Vinte e quatro horas,
Você não sabe quem eu sou,
Você não sabe... eu sou uma droga.