quinta-feira, 19 de junho de 2025

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domingo, 22 de março de 2020

São Paulo Esvaziada

Cena do filme ENSAIO SOBRE A CEGUEIRA - SARAMAGO.
Gravado em São Paulo - nesta imagem o Minhocão dominado 
pelo caos.
SÃO PAULO ESVAZIADA - o corpo livre do diabo.

Era abril de 2014 estava voltando do meu rolê de longboard com meus amigos JP e o Kojima, que apesar de ter sobrenome japonês é um rapazinho magro e loiro. Já eram umas 21h da noite e deixei o JP e o Kojima na porta da casa deles no bairro Chapadão em Campinas, e desci a ladeira da chapada que dá nome ao bairro, indo em direção à minha casa. Fechado em meus pensamento imaginava, desde daquela época, como seria viver um apocalipse. Era nóia minha, mas aprendi em livros que o ser humano é o único animal que consegue projetar o futuro como medida de defesa, por isso seria normal pensar, por exemplo, "em como lidar se seu quarto pegar fogo" etc... é o instinto de sobrevivência e defesa, nosso cérebro age assim, e por esse instinto pensava como seria um apocalipse zumbi naquele exato momento. Como seria conviver com os meus dois amigos ali, se tivéssemos que ficar isolados juntos como em The Wanking Dead?


Rick na cena de abertura de TWD, a metrópole rendida ao vírus, a série era febre em 2014.


Aliás, o TWD me fascina porque representa, pelo menos pra mim, o fim do sistema, o fim das regras, o fim do consumismo, o fim de tudo, mas o começo de um trilha que todos seguiriam igualmente. Eu pensava nisso tudo, num misto de Ilha Perdida, Robinson Cruzoé e  TWD.

Essa insanidade persegue a minha mente, por anos e quando me deparo com o CORONA VÍRUS invadindo São Paulo e o mundo me deixa mais perto do cenário caótico que minha mente sempre reproduziu, me deixa mais próximo de um sonho, ou melhor de um pesadelo.

Analistas e psicólogos diria que sofro de algum distúrbio, e esses dias até ouvi que dependendo da maneira em que certas pessoas vivem, a situação de um apocalipse, ou uma pandemia seria muito bem vindas para pessoas com distúrbios de relacionamento, ou simplesmente pela brandura de suas vidas: a situação de caos refletido numa pandemia  seria um prato prato cheio para quem não faz nada, seria aquela aventura a mais, a adrenalina que faltava para suas vidinhas medíocres.


Exato momento em que, o presidente do Brasil, diz que o Corona
vírus é uma gripezinha.
De repente minha vizinha ficou comunicativa, fala com todos sobre o vírus que assola São Paulo, compartilha fotos das compras de papel higiênico que fez no grupo wats do condomínio, ela parece adorar, ai de mim se eu tentar minimizar a gripe como fizera o presidente da república, essa fala dele, inclusive, lhe rendeu muitas paneladas por parte desta senhora evangélica ferrenha, antipetista, e que agora vê em Bolsonaro um algoz em sua jornada contra o vírus. Esta jornada, pareceu pra mim ser um dos raros momentos em que sua vida ficou agitada. É isso pode ser triste. Ontem ela passou por mim com um jogo de papel higienico NEVE que acabara de comprar, arranquei-lhe um sorriso imenso apenas dizendo: "nossa ainda bem que você comprou heim, tá acabando nos mercado" - realmente está. Eu poderia completar minha fala: "se vamos morrer que seja com o cú limpo!"


MEME da pandemia: "Se vamos morrer, que seja com o cú limpo"

Mas, o que quero dizer com tudo isso, é que ela pode não estar sozinha nessa cruzada. Como falei acima, podemos ter algo sádico em comum e isso me intriga: o doce mar de uma cidade vazia e todo sistema quebrado persegue a minha mente e meus desejos, quase um sadismo. E quando eu me defronto, em 2020, com a terra parando, com essa realidade eu me vejo enfrentando, quase, uma Síndrome de Jerusalém, ou de Veneza, onde as pessoas que por anos sonharam estar nestas cidades e quando lá estão a suas mentes entram em colapso pelo êxtase de confronto entre a REALIDADE versus o que sempre SONHARAM, as pessoas chegam a desmaiar, nos casos de Jerusalém até enlouquecer, começam a chorar feito crianças tal como aqueles programas de auditórios em que o fulano ganha a "casa que sempre sonhou".


Síndrome de Jerusalém é o nome dado a um grupo de fenômenos mentais envolvendo a presença de ideias obsessivas de temática religiosa, delírios ou outras experiências de cunho psicótico que são desencadeadas por, ou que levam a uma visita à cidade de Jerusalém. WIKIPEDIA.

Estaria o CODVID-19 realizando o meu sonho?

Pois bem estaria o CODVID-19, ou CORONA, realizando o sonho meu sonho? Não acredito neste puro sadismo doentio, mas leiam abaixo a Carta que o Corona vírus escreveu para a humanidade e que anda circulando na internet, até que ponto adorá-lo pode ser um sadismo?


CARTA DO CORONAVIRUS (À HUMANIDADE)
Tradução do GOOGLE TRADUTOR:

Pare.
Simplesmente pare, pare, não se mexa.
Não é mais uma solicitação. É uma obrigação.
Estamos aqui para ajudá-lo.
Esta montanha-russa supersônica ficou sem trilhos.
Chega!
Nós quebramos o turbilhão frenético de ilusões e "obrigações" que o impediam de erguer os olhos, olhar as estrelas, ouvir o mar, ser embalado pelo cantos dos pássaros, pegando uma maçã de uma árvore, sorrindo para um animal na floresta, respire a montanha, ouça o bom senso.
Nós tivemos que quebrá-lo.
Você não pode substituir Deus.
Nossa obrigação é mútua.
Como sempre foi, no entanto, você esqueceu.
Pararemos essa transmissão, a transmissão cacofônica infinita de divisões e distrações,
para lhe trazer esta notícia:
Não estamos bem
Nenhum de nós; todos estamos sofrendo.
No ano passado, as tempestades de fogo que queimaram os pulmões da terra
ele não te deu um tempo.
Nem as geleiras que se desintegram,
Nem suas cidades afundando,
Nem a consciência de ser o único responsável pela sexta extinção em massa.
Você não nos ouviu.
É difícil ouvir estar tão ocupado, lutando para subir cada vez mais alto no andaime dos confortos que você mesmo construiu.
As fundações estão falhando, arqueando-se sob o peso de seus desejos fictícios.
Nós iremos ajudá-lo.
Traremos as tempestades de fogo em seu corpo,
Vamos inundar seus pulmões,
Vamos isolar você como um urso polar em um iceberg à deriva.
Você está nos ouvindo agora?
Não estamos bem
Nós não somos um inimigo.
Somos um mero mensageiro, somos um aliado, somos a força que restaurará o equilíbrio.
Agora você tem que nos ouvir, estamos gritando para pará-lo!
Pare, cale a boca, ouça;
Agora levante seus olhos para o céu, como você está? Não há mais aviões. Quanto você precisa para se sentir bem para aproveitar o oxigênio que respira?
Olhe para uma árvore, como está? Olhe o oceano, como você está? Olhe para os rios, como estão? Olhe para si mesmo, como vai?
Você não pode ser saudável em um ecossistema doente. Parar.
Muitos têm medo agora.
Não demonize seu medo, não se deixe dominar. Deixe-me falar com você ouvir a sua sabedoria.
Aprenda a sorrir com os olhos.
Nós o ajudaremos se você ouvir.

Assinado: Coronavirus
Essa carta me fez lembrar de um rap antiiiiigo: "Eu sou uma Droga" do Rap Sensation, vale a penar ouvir de novo:

Ouça aqui a música EU SOU UMA DROGA


Dêem uma olhada na letra, vejam se o CORONGA copiou:
É, sangue bom, eu continuo pertubando você,
Muitos me fazem companhia, outros falam mal de mim,
Não tenho tempo pra trabalhar, só pra sorrir,
Te pego nas esquinas,bares, mentes pertubadas,
Alimentam o meu vício, te destruindo pelas madrugadas,
Já tentaram me exterminar, me incriminar, se associar a mim,
É o que conseguiram, sou eu é quem falo,
E você é que vai preso, por minha causa,
Mas sou seu amigo, fica frio,
No hospital, no leito solitário,
No presídio ou em casa, na miséria,
Sou seu amigo, fica tranqüilo,
Com os caras, eu já estou reinando,
Até as minas chegam junto, de vez em quando,
Mas sou rico, tenho funcionários, rendo fácil, fácil,
Eu sou da corte, aos colarinhos do plenário,
Não sou comandante, mas viajo sempre,
Não sou relógio, mas sou da hora,
Não sou ladrão, mas eu já roubei,
Quase toda a sua vida, cara,
Seu irmão morreu na minha, não fiquei com dó,
Vacilou cachimbo cai, no mundo do pó.
 
(refrão)
Eu posso muito bem estar,
Onde você estiver, onde você quiser,
Sou eu quem mando em sua mente,
Vinte e quatro horas,
Você não sabe quem eu sou,
Você não sabe não... (2x)

 
Olha só que firmeza, até mauricinho me estica na mesa,
É sangue bom, então, deixa que eu injeto,
Vai uma taturana aí, só pra ficar esperto,
Não vai deixar os manos te tirar, toma cuidado pra não assoprar,
Mas não esquenta, na boca nunca vai faltar,
Às vezes, os "homi" pega, uma casa cai,
Mas, depois vem rapidinho, vem chegando mais,
Entrou nessa maluco, é difícil sair,
Overdose te espera, teu fim está breve,
Eu quero é mais pra você, eu quero que o circo pegue fogo,
E os bombeiros, estejam tudo em greve,
Eu quero é mais, veja só,
No que você se meteu, eu tenho culpa,
O problema é seu, sai fora,
Eu num quero mais você, agora é só a morte,
Que vai te querer, outro dia, fumo solto na banca,
Gente rica, vem tratar de negócios,
Mas o fulano, prepara os planos,
Enrola o cachimbo, e traz a pedra (coitado esse já era),
Viagem clandestina, sem passaporte,
E o destino você sabe, otário é a morte,
É assim que eu quero, tem que ser assim,
Eu gosto do apelido, que puseram em mim,
Meu nome original, você sabe qual é,
Não precisa ninguém falar, e se me quiser,
Você me encontra, em qualquer lugar,
Uns me criticam, outros me consomem,
Se fosse coisa boa realmente, eu não teria esse nome.
  
Eu posso muito bem estar,
Onde você estiver,onde você quiser,
Sou eu quem mando em sua mente,
Vinte e quatro horas,
Você não sabe quem eu sou,
Você não sabe... eu sou uma droga.

quarta-feira, 23 de julho de 2008

Vampiros Por E-mail

De: Alex Pereira dos Santos Enviada em: sexta-feira, 23 de maio de 2008 08:56Para: Eliane Salmazo - Lexxa
Assunto: Texto Alex TCC

Bom dia Eliane, tudo bem com você? Espero que sim, ainda estou no aguardo daquele texto ilustrativo pro meu tcc. Já está pronto?
Solicito urgência neste caso,
Regards do Brother!
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De: Eliane Salmazo - Lexxa Enviada em: sexta-feira, 23 de maio de 2008 09:50Para: Alex Pereira dos Santos
Assunto: RES: Texto Alex TCC

Amigo Alex, segue conforme pediu.... a disposição sempre da Vsa. Senhoria, que Deus ilumine vc( acho que vc está precisando). :

"A distância como um sentimento"

“A cidade de Campinas dorme neste momento, menos uma pessoa : Raphael. São 3h39min da madrugada, ele não dorme porque está ao telefone.
Podemos sobrevoar a cidade, verificando seus telhados, suas telhas, as copas dos edifícios, as árvores. As ruas que estão molhadas pela última chuva que ocorrera no final da tarde, e, em algumas casas, vistas do alto, vemos pequenas janelas de quartos com uma luz bem fraca, os cachorros dormem nas várias soleiras das várias portas dessas casas,numa solidão terrível;
Nós podemos adentrar nelas, em todas, sem ninguém perceber. Podemos entrar na casa de Raphael.
Esparramado na cama do seu quarto, com o telefone no ouvido, ele fala com o amor da sua vida, à 580 km de distância dali, o que ele fala, podemos ouvir:
“Kakaroto, hoje, por várias vezes, além de pensar, quase morri por você. Estou muito só.”
“ Mas “você não está sozinho, você só está distante.”
“ Por isso penso que vou morrer.”.


Especialmente para este estudo. “Observações da Cidade” por Eliane Salmazo

Um Vampiro na Honda

De certo modo, o diálogo ilustra e enriquece a discussão sobre desejo, distância, apontando principalmente o efeito industrial provocado pelo desejo e necessidade material, como efeito econômico capitalista ocidental.

"Depois de um dia agitado , convidei um amigo para tomarmos um café no restaurante interno do Centro Empresárial Conceição, o popular Shopping Jaraguá na rua Conceição em Campinas. No encontro faria uma bateria de perguntas, cuja respostas serviriam para o meu trabalho de conclusão de curso da faculdade, o T.C.C. . Assim, combinamos , liguei e confirmei o convite e as 17h37min daquela tarde Daniel chegou, eu o aguardava na praça de entretenimentos do Jaraguá, o avistando chegar pedi que acelerrasse os passos pois, ainda teríamos de ir para a aula, onde seria feito uma revisão da próxima prova da matéria de "legislação Aduaneira" do nosso, muito ilustríssimo, Professor Paulo Borges.
- Corra Daniel! O tempo voa, tenho muitas perguntas!
- Quantas? (assustado)
- 39 ! (brinquei)
-Tudo isso? Indagou.
- Quase isso, um pouco menos!
-Você deve estar um pouco doido né?
-Doido eu? Talvez esteja, quando piorar me avise.
Pedi um capuccino quente com chocolate e ele uma porção de pão de queijo e um café pequeno.
-Seja breve! – Pediu-me
Sem rodeios comecei:
-Daniel, você trabalha na Honda Automotive do Brasil?
-Trabalho!
-O que a Honda produz?
-Automóveis, ela monta automóveis no Brasil, na planta de Sumaré.
-Quais automóveis?
-O Honda Cívic e o Honda Fit.
-Mas porque a Honda produz esses automóveis?
-Por que ela busca lucra como qualquer outra empresa, oras!
-Sim, mas por que ela decidiu, para ter lucros, fabricar automóveis?
-Porque é um meio de transporte eficiente, um amplo mercado consumidor desses automóveis, e a Honda se destacou pela sua qualidade excepcional.
-Você disse “um amplo mercado”, as pessoas gostam de comprar carros?
-Para todo brasileiro ter um carro é sonho!
-Você quer dizer “desejo”?
-Sim
-Por quê?
-O carro deixa as pessoas mais livres, com sensação de liberdade, autonomia, as deixam realizadas e felizes.
-Então você que dizer que Honda trabalha a partir de sonhos e atender desejos das pessoas?
-Exatamente, a Honda quer satisfazer o desejo do consumidor de automóveis de luxo a grosso modo.
-Então concluo que atender desejos e necessidades das pessoas por automóveis, é basicamente a missão da Honda?
- E seria outra? A missão é atender essas necessidades e desejos da sociedade, o cliente alvo; a Honda atende um nicho de mercado que prefere carros elegantes, para atenderem os seus desejos de status.
-Você acha que, se não houvessem desejos e necessidades, a Honda existiria?
-Provavelmente não, pois se vive de necessidades e desejos olhe em nosso redor, isso faz da nossa vida ter mais sentido, um motivo para viver, lutar e trabalhar para conquistar o que se sonha. Se as pessoas não querem nada, porque então existiriam?
-O que você pensa então quando concluo que a partir de suas resposta, a Honda é uma das ferramentas da sociedade para se aproximarem-se de seus desejos e necessidades distantes?
-Isso é muito óbvio Alex! Funciona assim, ela não apenas diminui a distância, mas aproxima a pessoas de seus desejos.
-Mas, então a Honda dá carros de graça? Todas as pessoas podem comprar um Honda Civic?
-Não, não (risadas) As pessoas precisam comprar, as pesquisas indicaram que os maiores consumidores brasileiros são da classe média alta, isso se tratando do Brasil.
-E a classe C, então não sente esse desejo?
-Sente sim, mas elas estão bem mais distantes de comprar um, é difícil.
-Então nem todas as pessoas que desejam um Honda Civic pode satisfaze-lo, o que você acha que provoca essa distância Daniel?
-A condição econômica-social não é favorável para todos, isso impede que todas essas pessoas possam ter um automóvel Honda.

O diálogo enfatiza a industrialização como procedimento para o homem ter aquilo que deseja materialmente, para os seus sonhos, como também deixa claro (embora seja um mero diálogo) qual é necessariamente a missão dessas empresas: preencher a distância do desejo.

Logo em seguida nas afirmações de Cury, entende-se que esse desejo também é maquinado pela própria indústria de consumo, com as criações mercadológicas de necessidades, os grandes meios de comunicação servindo de vitrine, aguçando o que o ser humano racional tem como instinto: reações por instímulos ao que bom para ele, como se dissesse: "isso é bom", sem ao menos conhecer direito, é criado uma configuração psicológica no sujeito de que "determinado" produto é "bom", mesmo não sendo necessariamente.

terça-feira, 22 de julho de 2008

Entrevista com a Vampira ( Desenvolvimento de TCC "O Conceito da Distância"

O estado de distância pode ser um sentimento de solidão, porque quando homem sente a necessidade da companhia, necessita de amor tanto quanto de alimento (CHESER,1971), e necessitar é estar distante, assim como numa sede: distante da água, uma necessidade; Porquanto no correr da evolução o homem adquiriu uma necessidade adicional, isto é o amor e este é tão necessário quanto o alimento. Se o privarem dele, sofrerá de algum modo ( CHESER,1971, p.75) e ainda “a necessidade de amor é tal que o indivíduo esmoece quando lhe falta completamente”(CHESER, 1971, p. 86).
Essas distâncias da vida, entre uma pessoa e outra na busca por uma ternura substancial para suas existências, as fazem felizes e completas, as fazem ter sentido para a vida – pois “[na] ternura por alguém, quer-se ficar perto da pessoa, dar-lhe cuidados e encher de dengos. Parece que a vida se resume na pessoa que se ama. Deixa-se de viver para si, até em certo ponto e passa a pensar somente no outro” (FAUSTO, 2007, p.11)
Sobre estas colocações, fora sugerido um diálogo com a Dra. Elisabete Aparecida Monteiro. Graduada em licenciatura e formação de psicólogo (PUCC); especializada em fundamentos filosóficos da psicologia e da psicanálise (UNICAMP); mestre e doutora em educação (USP), é colocada a seqüência de perguntas pertinentes ao tema “solidão e necessidade básica do homem”:

1ª Pergunta: “Gostaria que falasse sobre o sentimento de solidão e se
a vontade por "outra pessoa" é essência do ser humano. Tomando por base i filme Francês "Menino Lobo", o garoto, por ter vivido distante da sociedade, desenvolveu sentimentos diferentes, portanto se a "vontade por outra pessoa" for essência do ser humano,
era possível esse garoto ter um "sentimento de solidão"? Ou a
característica psicológica do ser humano pode ser "moldada" a partir
dos ambientes que se vive?”

Resposta:

“Dependendo de outro ser humano para a satisfação das necessidades mais básicas, como a alimentação, a "imaturidade biológica" com a qual o ser humano nasce já o coloca diante da NECESSIDADE BIOLÓGICA do outro. É a partir desse contato naturalmente necessário que se inicia a "NECESSIDADE PSICOLÓGICA" do outro. É na relação com o outro que se forma o nosso psiquismo, que é movido pela busca constante do reconhecimento do outro (a medida em que esse seja significativo). Não se sabe, exatamente, o nível de contato social que o menino selvagem estabeleceu antes de desaparecer na floresta. Caso tenha sido rejeitado desde o início, não tenha sido olhado nos olhos por alguém que o desejasse, poderíamos falar de uma formação autista da personalidade. Desse modo, é difícil falar em solidão, já que o autista se situa para além do mundo dos neuróticos, em seu mundo.
Portanto, a "vontade por outra pessoa" não seria uma essência biologicamente determinada, tampouco um mero determinando do ambiente.”

2ª Pergunta : “Quais doenças podem ser desenvolvidas pelo ‘sentimento
de solidão’ ?”

Resposta:

“Depressão, psicossomatizações, fobias, transtornos obsessivos compulsivos, entre outros”.

3ª Pergunta: “O que a Sra. tem a dizer sobre religiosos que renunciam
a uma vida familiar para se dedicarem ao sentimento "espiritual", essa
pessoa consegue suportar o ‘sentimento de solidão’?”

Resposta:

“A fé representa a confiança do sujeito num Outro que ama, protege, prevê e rege. Na crença em Deus, muitos conseguem viver sem a presença constante de outros, mas não na ausência absoluta.”

4ª Pergunta ( Rebate): “A questão de precisar do outro, está ligado ao "amor", Chesser ( O PREÇO DO AMOR ) colocou que ‘no correr da evolução o homem adquiriu uma necessidade adicional, isto é o amor e este é tão necessário quanto ao alimento, {...} parece que a vida se resume na pessoa que se ama...’Quando a Dra. Coloca que : ‘a vontade por outra pessoa’, não seria uma essência biologicamente determinada, tampouco um mero resultado do ambiente’ isso contrapõe essas afirmações de Chesser? Ainda gostaria que colocasse se essa necessidade afirmada por Chesser pode ser colocada no 1º ítem da pirâmide de Maslow.”

Resposta:

“Não fica claro, para mim, o que o autor está querendo dizer com "no correr da evolução o homem adquiriu uma necessidade adicional". Ele está dizendo que o amor é biológico (fisiológico, químico?)? Freqüentemente, o conceito de necessidade está atrelado à concepção biológica, se for isso, não concordo com essa proposição. Diferente da necessidade, o desejo se constitui na relação com o outro, no desejo do outro. A mãe que deseja seu filho o torna, também, desejante.
Creio que não podemos colocar o amor no nível do alimento... E que o amor estaria na terceira necessidade (social), já que esta se refere à necessidade de reconhecimento (amar é desejar ser amado, isto é, reconhecido).


O que se pretende chegar é na conclusão de Cheser sobre necessidade do amor, e que a partir dele o ser humano passa a desejar outras coisas até mesmo o alimento, seria para ele: primeiro o amor depois a própria motivação para o mundo.